quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A natureza como fonte inspiradora


O grito no vale
llO homem resolveu partir em busca de Deus. E foi atrás dos mestres, que diziam conhecer profundamente as razões pelas quais o Universo havia sido criado, e prometiam explicar o que Deus queria da humanidade.
- Mas quem lhes ensinou isso? - perguntava aos mestres - Foi o próprio Deus?
Os mestres diziam muitas palavras bonitas, mas não conseguiam definir exatamente quem os ensinara tudo que pregavam aos quatro ventos. Portanto, depois de alguns dias de aprendizado aqui e acolá, o homem sempre seguia adiante. 
Em suas andanças, terminou conhecendo um vale, onde camponeses afirmavam que, em uma montanha próxima, Deus falava com quem se aproximasse. 
E o homem foi para a montanha. Esperou durante três dias, jejuando e rezando, mas Deus não se aproximou. No quarto dia, já desesperado, ele gritou:
- Onde estás?
O eco respondeu:
- Onde estás?
E, a partir daquele instante, o homem compreendeu que Deus fazia a mesma pergunta, e que também lhe buscava. 

A cultura e a contemplação 
A tradição sufi nos conta a história de um filósofo que cruzava um rio em um barco.  Durante a travessia, procurava mostrar sua sabedoria ao barqueiro.
- Você conhece os textos de Horbiger?  
- Não - respondeu o barqueiro. - Mas conheço o que a natureza me ensinou para desempenhar bem o meu trabalho. 
- Pois saiba que perdeu metade de sua vida! 
No meio do rio, o barco bateu numa pedra, e naufragou. O bar¬queiro nadava para uma das margens, quando viu o filósofo se afogando. 
- Não sei nadar! - gritou ele desesperado. - Eu lhe disse que havia perdido metade de sua vida por não conhecer Horbiger, e agora perco a minha vida inteira por não entender coisas tão simples como as correntezas de um rio!

O dia e a noite 
O mestre reuniu seus discípulos e perguntou como era possível saber a hora exata em que a noite terminava.
- Quando podemos ver o primeiro brilho do sol – responderam todos.
- Nada disso. A noite termina quando podemos olhar no rosto de nosso irmão e ver que ele é o nosso próximo. Quando podemos nos levantar da cama sem nenhum remorso do que fizemos no dia anterior. Quando podemos dizer a nós mesmos que, custe o que custar estaremos sempre agindo de acordo com a vontade de Deus.
- Enquanto não pudermos fazer isto, continuará sendo noite - mesmo que o sol esteja brilhando lá fora. 

Zhuan Ziu fala da natureza
Quando o inverno chega, as árvores devem suspirar de tristeza ao ver suas folhas caírem. 
Dizem: "jamais seremos como antes".
Claro.  Ou então, qual o sentido de renovar-se? As próximas folhas terão sua personalidade própria, pertencem a um novo verão que se aproxima, e que nunca poderá ser igual ao que passou. 
Viver é mudar – e as estações nos repetem esta mesma lição todos os anos. Mudar significa passar por um período de depressão: ainda não conhecemos o novo, e temos que esquecer tudo aquilo com o que estávamos habituados. Mas, se temos um pouco de paciência, a primavera termina chegando, e esquecemos o inverno de nossas desesperanças.
Mudança e renovação são leis da vida. É bom acostumar-se com elas, e não sofrer com coisas que só existem para nos trazer alegrias. 

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