Do excelente livro “Histórias da Alma, Histórias do Coração” (Christina Feldman e Jack Kornfield, Ed. Pioneira), tiramos algumas histórias para esta e outras colunas. Aqui vão algumas delas:
Estou de passagem
No século passado, um turista americano foi ao Cairo visitar o famoso rabino polonês Hafez Ayim. O turista ficou surpreso ao ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros, onde as únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.
- Rabi, onde estão seus móveis? – perguntou o turista.
- E onde estão os seus? – retorquiu Hafez.
- Os meus? Mas eu só estou aqui de passagem!
- Eu também – disse o rabino.
Convencer os outros
Um profeta chegou certa vez a uma cidade para converter seus habitantes.
A princípio, as pessoas ficaram entusiasmadas com o que ouviam. Mas - pouco a pouco - a rotina da vida espiritual era tão difícil, que homens e mulheres se afastaram, até que não ficou uma só alma para ouvi-lo.
Um viajante, ao ver o profeta pregando sozinho, perguntou:
- Por que continuas exaltando as virtudes e condenando os vícios? Não vês que ninguém aqui te escuta?
- No começo, eu esperava transformar as pessoas – disse o profeta. – Se ainda hoje continuo pregando, é apenas para impedir que as pessoas me transformem.
Depois da morte
O imperador mandou chamar o mestre zen Gudo à sua presença.
- Gudo, ouvi falar que você é um homem que tudo compreende – disse o imperador. – Eu gostaria de saber o que acontece com o homem iluminado e com o pecador, depois que ambos morrem?
- Como vou saber? – respondeu Gudo.
- Mas, afinal de contas, você não é um mestre iluminado?
- Sim, senhor. Mas não um mestre morto!
A reflexão
O padre Alan Jones diz que, para a construção de nossa alma, precisamos das Quatro Forças Invisíveis: amor, morte, poder e tempo.
É necessário amar, porque somos amados por Deus. É necessária a consciência da morte, para entender bem a vida. É necessário lutar para crescer – sem deixar-se seduzir pelo poder que conseguimos com isto, pois sabemos que ele não vale nada. Finalmente, é necessário aceitar que nossa alma - embora seja eterna - está neste momento presa na teia do tempo, com suas oportunidades e limitações; assim, temos que agir como se o tempo existisse, fazer o possível para valorizar cada segundo.
Estas Quatro Forças não podem ser tratadas como problemas a serem resolvidos, porque são muito mais importantes que isto - e estão além de qualquer controle. Precisamos aceitá-las, e deixar que nos ensinem o que precisamos aprender.
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