Jean passeava com seu avô por uma praça de Paris. A determinada altura viu um sapateiro sendo destratado por um cliente, cujo calçado apresentava um defeito. O sapateiro escutou calmamente a reclamação, pediu desculpas, e prometeu refazer o erro.
Pararam para tomar um café num bistrô. Na mesa ao lado, o garçom pediu a um homem que movesse um pouco a cadeira, para abrir espaço. O homem irrompeu numa torrente de reclamações, e negou-se.
- Nunca esqueça o que viu - disse o avô para Jean. - O sapateiro aceitou uma reclamação, enquanto este homem ao nosso lado não quis mover-se. Os homens úteis, que fazem algo útil, não se incomodam de serem tratados como inúteis. Mas os inúteis sempre se julgam importantes, e escondem toda a sua incompetência atrás da autoridade.
O presente errado
Miie Tamaki resolveu largar tudo que fazia - era economista - para dedicar-se à pintura. Durante anos procurou um mestre adequado, até que encontrou uma mulher especialista em miniaturas, que vivia no Tibet. Miie deixou o Japão e foi para as montanhas tibetanas, aprender o que precisava.
Passou a morar com a professora, que era extremamente pobre.
No final do primeiro ano, Miie voltou ao Japão por alguns dias, e retornou ao Tibet com malas cheias de presentes. Quando a professora viu o que ela tinha trazido, começou a chorar, e pediu que Miie não voltasse mais a sua casa, dizendo:
- Antes, nossa relação era de igualdade e amor. Você tinha teto, comida, e tintas. Agora, ao me trazer estes presentes, você estabelece uma diferença social entre nós.
- Se existe esta diferença, não pode existir compreensão e entrega".
O que salva o amor
L. Barbosa conta a história de uma ilha onde viviam os principais sentimentos do homem: Alegria, Tristeza, Vaidade, Sabedoria, e Amor. Um dia, a ilha começou a afundar no oceano; todos conseguiram alcançar seus barcos, menos o Amor.
Quando foi pedir a Riqueza que o salvasse, esta disse:
- Não posso, estou carregada de jóias e ouro.
Dirigiu-se ao barco da Vaidade, que respondeu:
- Sinto muito, mas não quero sujar meu barco.
O Amor correu para a Sabedoria, mas ela também recusou, dizendo:
- Quero estar sozinha, estou refletindo sobre a tragédia, e mais tarde vou escrever um livro sobre isto.
O Amor começou a se afogar. Quando estava quase morrendo, apareceu um barco – conduzido por um velho – que o terminou salvando.
- Obrigado – disse, assim que se refez do susto. – Mas quem é você?
- Sou o Tempo – respondeu o velho. Só o Tempo é capaz de salvar o Amor.
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